A LIBERDADE QUE TEMOS É REALMENTE UMA LIBERDADE?

Atualizado: Abr 1

No antigo Estados Unidos, hoje temos a república de Gilead. Um lugar onde as mulheres são obrigadas a servirem em um estado patriarcal; não possuem liberdade alguma; e, dividas em classes, são designadas cada uma para uma função. As consideradas “não-mulheres” são enviadas às colônias, lugares com alto índice de radiação; as “marthas” são as responsáveis pelo trabalho doméstico; as “Esposas”, administradoras do lar; as “tias”, as responsáveis pelo treinamento das aias; e as “aias”, barrigas para as Esposas que não podem engravidar.


Visto por turistas como um lugar exótico, Gilead segue uma interpretação extremista do velho testamento. Universidades e jornais foram extintos, advogados não existem mais, porque ninguém possui direito a defesa. Os criminosos são fuzilados e exibidos em praça pública.


Narrado em primeira pessoa pela aia chamada de Offred, sem revelar seu verdadeiro nome, conhecemos a rotina da casa de seu Comandante, o novo modo de comprar alimentos, e que até mesmo a vida das Esposas não é perfeita nesse mundo que reverencia as mulheres. Mesclando presente e passado, Offred nos conta como o cenário atual surgiu, um pouco de sua vida antes da mudança, e sua estadia no centro de treinamento antes de se tornar uma aia.


Escrito em 1985, Margaret Atwood busca referências no cenário político da época, nos fazendo refletir sobre o perigo de estereótipos e extremismos, intolerâncias e preconceitos. O livro expõe que, até mesmo nos regimes mais severos, o submundo reina, provendo festas, álcool, e prazeres proibidos para ambos os sexos. Pequenos trunfos, como cigarro e maquiagem, e a promessa de uma vida melhor do que a das aias, levam mulheres a participar de eventos ilegais e imorais, mas que todo o alto escalão do governo frequenta. Em meio a muitas proibições, violência psicológica e física encontramos o movimento “Mayday”, cujo o objetivo é derrubar o governo e reinstituir a liberdade de expressão e democracia.


O conto da aia é uma distopia que nos faz refletir, não pode ser lido de uma vez. É pesado demais para deixar passar todas as referências, e mesmo escrito há 35 anos, as possibilidades e analogias, podem ser aplicadas ainda hoje. O quão livres somos? Temos realmente a liberdade de decidir o que queremos, ou isso é um privilégio para poucos?


Margaret Atwood – 18 de novembro de 1939 - hoje





Romancista, poetisa, contista, ensaísta e crítica literária. Vencedora de inúmeros prêmios literários, recebeu a Ordem do Canadá, a mais alta distinção em seu país. Desde 1976, é membro fundador do Writers’ Trust of Canada, organização não governamental que atua em apoio à comunidade de escritores canadenses ou que residem no país. Sua escrita é reconhecida por se aproximar de assuntos da contemporaneidade como feminismo e o meio ambiente.








 

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